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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Onde os Fracos Não Têm Vez

Texto de Raphaela Ximenes para o blog Whatever

Lendo na revista SET o especial sobre os indicados ao Oscar desse ano, concordei com eles quando afirmaram que esse é o Oscar cool. Sim, só gente bacana, que está conseguindo devolver à indústria cinematográfica norte-americana alguma qualidade, transformou a festa do Oscar desse ano em uma das mais interessantes dos últimos cinco, quem sabe, dez anos.

Na verdade eu havia desistido do Oscar de vez em 2006, quando Crash ganhou. Parei de vez de levar a sério, quando um dos piores filmes que já vi levou o Oscar e muita gente achou que merecia, que era realmente um grande filme. Não vou mais discutir esse assunto, porque por mais que me digam que É um grande filme, eu não concordo. Acho um engodo, filme politicamente correto para americano ver.

Mas felizmente são águas passadas e estamos em 2008, para mim o ano em que o Oscar voltou a ser o Oscar. Quando mostravam as cenas com as retrospectivas dos anos anteriores, em comemoração aos 80 anos da festa, em mim era mais nítida a impressão de que a Academia havia despertado pra vida e em quase todas as categorias (Norbit? Hello???) qualquer indicado que ganhasse era verdadeiramente merecedor.

Começando pelo apresentador, o comediante/apresentador de talk show, Jon Stewart, que tem um timming perfeito para piadas geniais, como afirmar que está assustado em os EUA ter uma mulher e um negro concorrendo à presidência do país, pois isso só acontece em filmes onde a Estátua da Liberdade é destruída por asteróides. Foi a melhor sacada da noite toda! Fora as piadinhas em cima das rápidas retrospectivas sem graça e o baby award para brincar com a safra de grávidas de Hollywood.

Uma noite com pouquíssimas surpresas, onde só me surpreenderam os prêmios de melhor atriz para Marion Cotillard e atriz coadjuvante para Tilda Swinton, ambos merecidíssimos. Na verdade fiquei com muito medo da Blanchett levar melhor atriz, já que apesar de ela estar muito bem em Elizabeth, não achei nada excepcional, principalmente este ano, em que quase todas as atuações foram maravilhosas.

Sim, fiquei felicíssima com o Javier Bardem levar ator coadjuvante e ainda agradecer em espanhol à mãe. Não adianta, acho ele um charme e pronto! Ainda mais de smoking e sem o cabelinho triste do filme. Aliás, a categoria melhor ator foi uma das melhores em todos os sentidos, hein? Clooney, Day Lewis, Depp e Mortensen??? Do que mais uma festa precisa além desses homens e todos chiquérrimos? (Ok, mas ninguém merecia a barba do Viggo Mortensen). Fora o James McAvoy ali no cantinho, todo sorridente e lindinho. Ah esses escoceses...

Não quero nem falar sobre os prêmios que o Ultimato Bourne levou, porque achei o filme um saco, o mais fraco da trilogia, que nem merecia estar ali concorrendo a prêmio nenhum, quanto mais ganhar. Mas adorei Sweeney Todd ganhar direção de arte, também óbvio que ia ganhar né? O filme é uma obra de arte em película. E apesar de ter achado Elizabeth chato, reconheço que o figurino era deslumbrante, também mereceu o prêmio.

Fiquei dividida no prêmio de melhor animação, mesmo sem ter visto Persepolis, mas Ratatouille realmente é foda. Ainda não entendi porque a Katherine Heigl estava TÃO nervosa. Achei que ela ia ter um treco ali! Nem a menininha do Hannah Montana passou por esse vexame. E que foda a presença do Steve Carrell e do Seinfeld! Mesmo que disfarçado de abelhinha. Agora, me expliquem o prêmio de melhor documentário curta-metragem. Aqueles soldados apresentando os indicados foi a coisa mais constrangedora da festa toda! Mas não é uma festa do Oscar, sem um momento sem graça. E falando em constrangedor quem mais mudava de canal quando as músicas do Encantada eram apresentadas? Ainda bem que ganhou a canção do irlandeszinho do The Commitments (a.k.a Glen Hansard). Na verdade se você ainda não ouviu falar em Once, corre e procura saber, porque é a próxima sensação agora que passou o Oscar e deve diminuir um pouco toda a agitação em volta de Juno.

E falando em Juno, nem preciso dizer a minha alegria pela Diablo Cody, que merecidamente levou roteiro original. Lá no fundo torci muito pro Jason Reitman levar melhor diretor, mas sei que ainda não é a vez dele, ainda mais que os irmãos Coen fizeram um trabalho impecável com Onde os Fracos Não Têm Vez. O Day Lewis levou melhor ator, gostei, mas queria o Clooney.

Agora, momento para ficar nervoso e perder o rumo, é receber o Oscar das mãos dos Scorsese, não é não? Imagina, você ganhou o Oscar e ainda recebe das mãos dele??? Eu tinha uma síncope no palco. Claro que os Coen não sou eu. Claro que o filme deles mereceu o prêmio e no fim de tudo isso o que me deixa mais feliz é que um filme nem um pouco convencional, nem um pouco fácil de ser digerido, com um tema tão forte, ganhou o prêmio de melhor filme do ano. Realmente este ano o Oscar não foi para os fracos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Lalola

Texto de Giselle Almeida para o blog Comentar é preciso

Já confessei aqui no blog que não entendo nada de novela. Não vi a Alzira fazendo pole dance em Duas caras, nem a morte da Ágata em Sete pecados nem um capitulozinho que fosse de Desejo proibido. Mas sábado não resisti à curiosidade e assisti durante uns minutos a Lalola, no SBT. Eu sei, eu sei, devia ser crime inafiançável assistir a qualquer novela que passe naquele canal. Mas pelo pouco que vi, parece que esta é diferente.


A trama é rocambolesca, embora não seja exatamente uma novidade: o mulherengo Lalo sofre o pão que o diabo amassou depois que uma de suas conquistas resolve se vingar. Ela procura uma cigana, que transforma o garanhão numa mulher. A partir daí, ele tem que aprender a viver no novo corpo até conseguir desfazer a confusão.


No capítulo de sábado, não consegui entender muita coisa, porque peguei o bonde andando. Sei que Lola estava desesperada porque precisava com urgência de novos documentos, agora como mulher, para apresentar na editora onde trabalha. Quer dizer, onde Lalo trabalha. Ela ficou em seu lugar, se passando por sua prima. Doido, né? Depois ela conseguiu, na última hora, trocar a capa de uma revista que já estava na gráfica e acabou demitida. Sem contar que o fotógrafo da revista, que está procurando uma nova mãe para sua filha, está gostando da moça. Isso não vai prestar...


Pra quem acha que América Latina é tudo igual, um aviso: a produção é argentina e não mexicana. Isso já nos livra dos diálogos melosos e mal escritos, das interpretações muitos tons acima do aceitável, cenários e figurinos cafonas e direção careta, onde os atores mal conseguem se mexer. Lalola é uma comédia, com trilha sonora e edição pretensamente moderninhas. Parece pouco? Acredite, isso faz uma diferença enooooorme.


Será Lalola a nova Betty, a feia?