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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Epicuro


Pensamentos. De Epicuro (341-270 a.c) da editora Martin Claret.

Pensamentos de Epicuro são de simplicidade, paz e tranquilidade. Através dos exemplos da natureza busca-se o equilíbrio da mente e do espírito atingindo a paz, tranquilidade e o prazer do corpo e da alma. O prazer não é o hendonista e sim o prazer do espírito, da quietude. Alimentação escassa e armônica. Imortalidade da mente e do espírito. A liberdade através do pensamento.

Alguns dos princípios epicuristas. A dica ta aí.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Uma viagem pela Itália




Se ler é viajar, acabo de chegar de Florença. Visitei o convento de Monte Oliveto Maggiore e conheci os afrescos pintados por Sodoma (1477-1549). Pelo menos foi o que me proporcionaram as 124 páginas de “O conto do amor”, primeiro romance de Contardo Calligaris. A estória do livro se confunde com a do próprio autor, apesar do mesmo afirmar que “de autobiográfico, somente o primeiro capítulo”.


Isso porque o protagonista é psicanalista e mora em Nova Iorque, assim como Calligaris, que viveu durante um bom tempo na cidade. O pai de Carlo Antonini, em seu leito de morte, faz uma revelação mais que inusitada: ele teria sido, em outra vida, o ajudante do pintor Sodoma, autor dos afrescos no convento de Monte Oliveto Maggiore. Somente 12 anos depois da morte de seu pai, Carlo decide desvendar esse mistério e se envolve num caso amoroso mais curioso e misterioso ainda.

No decorrer da trama, por sinal, muito bem costurada, Carlo reúne pistas que podem ajudá-lo a entender o que seu pai quis dizer pouco antes de morrer. De um lado, o diário de seu pai e as cartas de amor trocadas entre ele e sua mãe. Do outro, a reprodução sem assinatura de uma obra de Sodoma e uma noite inesquecível num hotel da Toscana.

Não visitei apenas Florença. Apesar de ter sido esta a cidade mais detalhada no livro. Porém, viajei por Milão, Siena e até Paris. Alguns minutos em Nova Iorque também são relatados no livro, para alegria desta resenhista. Carlo se aventurou numa investigação que prometia desvendar o passado de seu pai, mas mal sabia ele que tais descobertas seriam ainda mais proveitosas para seu futuro.

Além de a estória enigmática ser prazerosamente lida, diga-se de passagem, o leitor pode ainda se deliciar com a reprodução das obras de Sodoma citadas no livro.

Deixo aqui uma prévia da entrevista que fiz com o autor. Sobre o livro, Calligaris me afirmou:

"Ele não é totalmente autobiográfico. Na verdade, de autobiográfico, somente o primeiro capítulo. Vivi na Itália até os 18 anos e sempre quando voltava para visitar minha família, meu pai me dizia que queria conversar comigo. Passavam-se os dias e a conversa nunca acontecia. Até que um dia, em seu leito de morte, ele me falou exatamente o que o pai de Carlo Antonini falou para ele. Quando meu pai morreu, eu herdei 60 anos de um diário escrito por ele e as cartas de amor trocadas entre ele e minha mãe. Não sabia o que fazer com aquilo. Foi quando tive a idéia de iniciar o livro".

Em breve colocarei a entrevista na íntegra.

O conto do amor
Autor: Contardo Calligaris
Companhia das Letras
R$ 23 (no Submarino)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O livreiro de Cabul





Desde 2001, mais precisamente depois de 11 de setembro, o mundo conheceu melhor o Afeganistão. A vida naquele país, cuja cultura é, praticamente, intolerável para o Ocidente não é mais segredo. "O livreiro de Cabul" (Record,2006), escrito pela jornalista norueguesa Åsne Seierstad, é um livro para quem apreciou "O caçador de pipas", de Khaled Hosseini.

Usando artifícios literários, Seierstad conta a história da família do livreiro Sultan Khan (nome fictício), a quem a jornalista conheceu depois de cobrir a guerra contra os talibãs. O problema é que a família de Sultan é tão grande que, ao contar as histórias das mulheres, dos irmãos e tudo mais, Seierstad deixa o leitor perdido. Inúmeras vezes é preciso fazer um esforço para se lembrar de qual personagem ela se refere.

O livro é triste, não tem como ser diferente ao se tratar da cultura afegã, ao apresentar as dificuldades das mulheres, submissas aos homens, enclausuradas em suas burcas. Åsne descreve o pandemônio vivido pelos moradores da casa de Sultan, as intimidades dos universos masculino e feminino, a loucura que deve ser se casar com alguém que você não conhece. O livreiro culto e letrado desaparece com a postura machista que Sultan demonstra em determinadas situações.

O livro é um relato de uma história real. Desde aí, é possível esperar um fim diferente do que temos por costume. Em todo o mundo, já foram dois milhões de exemplares comercializados, com direitos vendidos para 30 países. Com o sucesso, Åsne doou US$ 200 mil (cerca de R$ 450 mil), parte dos ganhos com seu livro, para construir uma escola para 600 garotas nos arredores de Cabul.

Por ter lido "O caçador de pipas" e "A cidade do sol" antes de "O livreiro de Cabul", não me surpreendi com as situações vividas pelos afegãos que, por sinal, foram bem descritas. De uma coisa eu tenho certeza: depois de três livros sobre o país, aguardo, ansiosamente, por um quarto que possa me surpreender. Afinal, não sei se há ainda mais coisas diferentes que eu possa aprender sobre o Afeganistão.
O livreiro de Cabul
Autor: Âsne Seierstad
Editora Record
R$ 29,90

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Travessuras da menina má


Foi a primeira vez que peguei um livro do peruano Mario Vargas Llosa para ler e já fiquei muito ansiosa em conhecer suas outras obras. Travessuras da menina má, da Editora Record, é surpreendentemente romântico e irritante. Consegue entender? Vargas Llosa cria um personagem capaz de se fazer detestar e ao mesmo tempo, ser digna de piedade.

O peruano Ricardo decide largar seu país e ir em busca de seu sonho: viver em Paris. Ao reencontrar seu amor dos tempos da adolescência, a nada doce Lily, Ricardito se surpreende com uma "menina má" repleta de travessuras capazes de deixá-lo à beira de um ataque de nervos ou até da morte.

Em inúmeras idas e vindas, Ricardo, o "menino bom", reconhece muitas mulheres em Lily, que usou e abusou de todas as facetas femininas para ter uma vida rica e conseguir o que queria. Enquanto alguns encontros proporcionam momentos felicíssimos para Ricardo, outros deixam claro que a "menina má" não é mulher para aquele pequeno burguês.

Porém, o amor do peruano é tamanho que ele se deixa levar pelo coração numa narrativa que Vargas Llosa mostra todos os encantos e desencantos em Paris, Londres, Japão e Madri. Durante uma boa parte da leitura, a "menina má" se faz odiar. Perguntei-me diversas vezes o que ela teria de tão bom para Ricardo nunca esquecê-la. Foi quando me deparei com a minha afeição por ela. Torci, até o fim, para que tudo desse certo e compreendi o, aparentemente, incompreensível.

Os sete capítulos proporcionam uma leitura rápida e gostosa em suas 304 páginas. Enquanto o "menino bom" e a "menina má" se encontram e desencontram, o autor revela as transformações sociais européias e as convulsões políticas da América Latina. É fácil perceber que Ricardo muito tem a ver com Vargas Llosa, do tempo em que morou em Paris e viveu como tradutor.

“Para falar de amor, inevitavelmente é preciso recorrer também à nossa própria experiência, mas digamos que, aqui, metade é imaginação e a outra metade feita de recordações”, disse o autor em uma entrevista ao jornal argentino Clarín.

Jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, Mario Vargas Llosa é um escritor consagrado internacionalmente. Ganhou notoriedade literária com a publicação do premiado romance A cidade e os cachorros (1961) no qual já estou à procura para começar a minha leitura. Outros romances do autor como Conversa na Catedral, Pantaleão e as Visitadoras, Tia Júlia e o Escrevinhador, A Guerra do Fim do Mundo e Quem Matou Palomino Molero? Também estão na minha fila de espera.

Só uma coisa me aborreceu durante a leitura do livro. As passagens em que os personagens fazem citações em francês não são traduzidas e, infelizmente, passaram em branco para mim. Se ainda estivessem em italiano ou inglês seria mais fácil. Se assim tem de ser, vou procurar uma Aliança Francesa da vida. No mais, vale a pena!


Travessuras da Menina Má
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora Record
304 páginas
R$ 39,90

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Uma vida inventada


Literatura e vida particular se entrelaçam em “Uma vida inventada: memórias trocadas e outras histórias”, de Maitê Proença, lançado pela editora Agir. Com um senso de humor e muita ironia, a atriz arrisca nas palavras a sua própria história contada em primeira e terceira pessoa. Depois de “Entre ossos e a escrita”, uma coletânea de crônicas que Maitê escreveu na revista Época, seu segundo livro chama mais atenção, talvez por se tratar de uma história real e os fatos narrados parecerem, em suma, ‘coisa de novela’.

Em 224 páginas, a escritora narra os trágicos acontecimentos de sua vida, como episódios dignos das obras de Nelson Rodrigues. O assassinato de sua mãe, cujo mentor foi seu próprio pai e o suicídio do mesmo. Suas peripécias pelo mundo são descritas como verdadeiras aventuras de uma jovem que teve sua vida, de fato, inventada.

Se o problema em ler o livro é por ele ter sido escrito por uma atriz, melhor deixar o preconceito de lado. Numa mistura de ficção com autobiografia, Maitê se mostra muito mais nas páginas de “Uma vida inventada” do que quando posou nua para a Playboy, em 1987, depois do sucesso da novela Dona Beija, exibida pela Rede Manchete. Inteligente e irônica, ela alterna capítulos em primeira pessoa com a história de uma menina – ela mesma – contada em terceira pessoa.

A trama, que reúne todos os apetrechos para entristecer, na verdade, comove o leitor e, diga-se de passagem, promove um respeito por alguém que mostrou ser mais que uma bela mulher. Amores, drogas, viagens. Muitos são os ingredientes na vida de Maitê que ela usa e abusa ao contar, porém, não choca, provoca curiosidade.

Não conhecia muito sobre a vida pessoal da atriz. Vi um monólogo seu, as novelas em que atuou, li algumas crônicas na revista Época e sei que apresenta o programa Saia Justa, na GNT. Entretanto, valeu a leitura sobre alguém que teve muito o que contar, e melhor que isso, histórias para Nelson Rodrigues nenhum colocar defeitos.


Uma vida inventada: memórias trocadas e outras histórias
Agir Editora
R$ 29,90
224 págs.
Autor: Maitê Proença

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Não é tão bom quanto o Caçador de Pipas. É melhor!


Quando li O caçador de Pipas, definitivamente, me encantei. Então, achei que A Cidade do Sol (A thousand Splendid Suns), do mesmo autor, Khaled Hosseini, poderia me trazer algumas emoções à mais. E trouxe. O livro é de uma literatura peculiar, descritiva, porém não chata e que me transportou para Herat e Cabul em viagens longas e curiosas.

Acredito que muitos autores, no lugar de Hosseini, esperariam mais um pouco para lançar outro livro. Desde que lançou O caçador de Pipas, em 2003, o autor e médico afegão, naturalizado americano, se tornou um best-seller mundial, tendo sua obra em versão cinematográfica. Porém, Hosseini não pensou duas vezes e mais difícil que arriscar um segundo livro, ele usou, novamente, o Afeganistão como cenário.

O país, castigado pelas divergências políticas, não poderia deixar de provocar dor, revolta e lágrimas naqueles cujos corações são tão moles quanto o meu. Isso porque o que o autor retrata em A Cidade do Sol não é fruto de sua imaginação, infelizmente. Execução de pessoas, discriminação contra as mulheres que vivem enclausuradas em suas burcas e humilhações são apenas alguns dos ingredientes que fazem do livro um verdadeiro aprendizado sobre a cultura de um país marcado pela violência.

O texto de Khaled Hosseini, na verdade, conta a história de duas mulheres, Mariam e Laila, que apesar de serem tão diferentes, se cruzam no meio do caminho e passam a ter vidas tão iguais. As duas representam a vida de milhares de afegãs que têm seus sonhos vetados, impedidos, mas que, ainda sim, continuam lutando para ter uma vida mais digna. O amor e a amizade são alguns dos focos principais do livro, assim como a busca pela felicidade permeada pela presença constante da esperança. A cada página uma surpresa.

O título A thousand splendid suns se refere a Cabul e a um poema "Mil sóis esplêndidos" lido por um personagem. "Não se podem contas as luas que brilham em seus telhados, nem os mil sóis esplêndidos que se escondem por trás de seus muros".

Com final mais emocionante ainda, A Cidade do Sol deixa um gostinho de quero mais no leitor.

368 páginas
R$ 39,90
Editora Nova Fronteira

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Quando o passado bate a porta

Texto de Giselle Almeida para o blog Comentar é preciso

O caçador de pipas, do afegão Khaled Hosseini, é um livro de memórias. Ficcional, mas bem que poderia ser autobiográfico. A cada página, o protagonista Amir narra suas lembranças como quem revira um baú antigo. Diante dos nossos olhos, surgem as ruas da cidade de Cabul de 1975, quando ele era apenas um menino de doze anos. Mas, numa tarde de inverno, acontece algo que vai marcá-lo para sempre. E mesmo agora, quase trinta anos depois, seu passado continua a atormentá-lo.

Hoje casado, escritor bem-sucedido, Amir adota os Estados Unidos como seu novo lar. Até que um telefonema lhe dá os motivos que faltavam para enfrentar seus medos. "É possível ser bom de novo", é o que ouve de um velho amigo. Seria uma chance de recuperar sua paz de espírito? Uma oportunidade de curar as feridas que nunca cicatrizaram?

Órfão por parte de mãe, Amir sempre se esforçou para corresponder às expectativas de seu pai, que não aceitava a covardia do filho nem entendia seu interesse pelos livros. O campeonato de pipas que se aproximava seria a chance de Amir conquistar a admiração que nunca teve. Bastava que ele mantivesse sua pipa no céu por mais tempo que as outras. Cortar a última delas e levá-la para casa seria seu grande feito. E Hassan, seu criado e também seu melhor amigo, foi buscá-la. Afinal, ele era bom nisso, o melhor de todos os caçadores de pipas. E sabia o quanto aquele troféu era especial para Amir: "Por você, faria isso mil vezes!".

Tudo muda, porém, a partir daquela tarde de inverno. Uma atitude transforma para sempre o destino dos dois meninos - um erro pelo qual Amir não consegue se perdoar e só vai ter a chance de reparar muito tempo depois, ao encontrar o menino Sohrab, um pedaço vivo do seu passado. Nesse retorno à sua Cabul natal, 26 anos mais tarde, Amir se sente um turista em sua própria terra: encontra um Afeganistão completamente devastado pela guerra e dominado pelo regime tirânico dos talibãs.

Ao mesmo tempo em que consegue dar nomes e rostos (ainda que imaginários) para as vítimas de uma violência que já dura décadas naquele país, O caçador de pipas é uma história forte e dolorosa. Uma história de pecados que não são perdoados, de amizades que não são abaladas, de distâncias que não são superadas: entre pessoas, lugares, culturas. Distâncias entre o menino e o adulto, entre o passado e o presente. Distâncias no tempo e no espaço.