quinta-feira, 24 de julho de 2008

Uma viagem pela Itália




Se ler é viajar, acabo de chegar de Florença. Visitei o convento de Monte Oliveto Maggiore e conheci os afrescos pintados por Sodoma (1477-1549). Pelo menos foi o que me proporcionaram as 124 páginas de “O conto do amor”, primeiro romance de Contardo Calligaris. A estória do livro se confunde com a do próprio autor, apesar do mesmo afirmar que “de autobiográfico, somente o primeiro capítulo”.


Isso porque o protagonista é psicanalista e mora em Nova Iorque, assim como Calligaris, que viveu durante um bom tempo na cidade. O pai de Carlo Antonini, em seu leito de morte, faz uma revelação mais que inusitada: ele teria sido, em outra vida, o ajudante do pintor Sodoma, autor dos afrescos no convento de Monte Oliveto Maggiore. Somente 12 anos depois da morte de seu pai, Carlo decide desvendar esse mistério e se envolve num caso amoroso mais curioso e misterioso ainda.

No decorrer da trama, por sinal, muito bem costurada, Carlo reúne pistas que podem ajudá-lo a entender o que seu pai quis dizer pouco antes de morrer. De um lado, o diário de seu pai e as cartas de amor trocadas entre ele e sua mãe. Do outro, a reprodução sem assinatura de uma obra de Sodoma e uma noite inesquecível num hotel da Toscana.

Não visitei apenas Florença. Apesar de ter sido esta a cidade mais detalhada no livro. Porém, viajei por Milão, Siena e até Paris. Alguns minutos em Nova Iorque também são relatados no livro, para alegria desta resenhista. Carlo se aventurou numa investigação que prometia desvendar o passado de seu pai, mas mal sabia ele que tais descobertas seriam ainda mais proveitosas para seu futuro.

Além de a estória enigmática ser prazerosamente lida, diga-se de passagem, o leitor pode ainda se deliciar com a reprodução das obras de Sodoma citadas no livro.

Deixo aqui uma prévia da entrevista que fiz com o autor. Sobre o livro, Calligaris me afirmou:

"Ele não é totalmente autobiográfico. Na verdade, de autobiográfico, somente o primeiro capítulo. Vivi na Itália até os 18 anos e sempre quando voltava para visitar minha família, meu pai me dizia que queria conversar comigo. Passavam-se os dias e a conversa nunca acontecia. Até que um dia, em seu leito de morte, ele me falou exatamente o que o pai de Carlo Antonini falou para ele. Quando meu pai morreu, eu herdei 60 anos de um diário escrito por ele e as cartas de amor trocadas entre ele e minha mãe. Não sabia o que fazer com aquilo. Foi quando tive a idéia de iniciar o livro".

Em breve colocarei a entrevista na íntegra.

O conto do amor
Autor: Contardo Calligaris
Companhia das Letras
R$ 23 (no Submarino)

6 comentários:

Fabiane Bastos disse...

É! Quem lê viaja!
E Nayra ja tem muitas milhas acumuladas.

Quando crescer vou conseguir ler desse jeito.

Giselle de Almeida disse...

Nayra, vc é uma verdadeira máquina de leitura!!!! Isso me lembra da (enorme) pilha de livros à minha espera na estante... Ai, ai, quando é que eu vou tomar jeito?

Nayra Garofle disse...

Eita gente!!! É pq enquanto vcs se divertem com a tv por assinatura, eu desligo a tv da minha casa pq só tem canal aberto...rs

Newton disse...

Nayra coloca gatonet ora!! Rsrsrs!!! Mas a verdade é que tem uma porra da de livros que você coloca aqui que a gente TEM que ler. Por que? Sei lá! Só sei que Tem que ler! este livro que você colocou aqui um amigo meu já o leu e disse que é mucho loco!!! Mucha viagem!!!
Vale apena.

Newton disse...

Fiz merda no outro blog! Hehehe!!!! Bem, to no espírito chato mesmo!!! overdose de Newtinho!!!
Se alguma alma boa e caridosa quiser me ajudar a dizer como deletar a merda que fiz ou fazer por si mesmo eu serei eternamente grato. Se não quiser..... Bem......... Boa noite!

Fernando Julião disse...

Por isso que vou casar com essa mulher... vai ficar rica, daí me dou bem... uhahuauhauhauhauhhuaa