sexta-feira, 18 de julho de 2008

O livreiro de Cabul





Desde 2001, mais precisamente depois de 11 de setembro, o mundo conheceu melhor o Afeganistão. A vida naquele país, cuja cultura é, praticamente, intolerável para o Ocidente não é mais segredo. "O livreiro de Cabul" (Record,2006), escrito pela jornalista norueguesa Åsne Seierstad, é um livro para quem apreciou "O caçador de pipas", de Khaled Hosseini.

Usando artifícios literários, Seierstad conta a história da família do livreiro Sultan Khan (nome fictício), a quem a jornalista conheceu depois de cobrir a guerra contra os talibãs. O problema é que a família de Sultan é tão grande que, ao contar as histórias das mulheres, dos irmãos e tudo mais, Seierstad deixa o leitor perdido. Inúmeras vezes é preciso fazer um esforço para se lembrar de qual personagem ela se refere.

O livro é triste, não tem como ser diferente ao se tratar da cultura afegã, ao apresentar as dificuldades das mulheres, submissas aos homens, enclausuradas em suas burcas. Åsne descreve o pandemônio vivido pelos moradores da casa de Sultan, as intimidades dos universos masculino e feminino, a loucura que deve ser se casar com alguém que você não conhece. O livreiro culto e letrado desaparece com a postura machista que Sultan demonstra em determinadas situações.

O livro é um relato de uma história real. Desde aí, é possível esperar um fim diferente do que temos por costume. Em todo o mundo, já foram dois milhões de exemplares comercializados, com direitos vendidos para 30 países. Com o sucesso, Åsne doou US$ 200 mil (cerca de R$ 450 mil), parte dos ganhos com seu livro, para construir uma escola para 600 garotas nos arredores de Cabul.

Por ter lido "O caçador de pipas" e "A cidade do sol" antes de "O livreiro de Cabul", não me surpreendi com as situações vividas pelos afegãos que, por sinal, foram bem descritas. De uma coisa eu tenho certeza: depois de três livros sobre o país, aguardo, ansiosamente, por um quarto que possa me surpreender. Afinal, não sei se há ainda mais coisas diferentes que eu possa aprender sobre o Afeganistão.
O livreiro de Cabul
Autor: Âsne Seierstad
Editora Record
R$ 29,90

4 comentários:

Fabiane Bastos disse...

Sempre há o que aprender, de outros paises, ainda mais de um com uma cultura tão diferente da nossa como o Afeganistão.

Talvez esses autores tenham se acomodado na mesmice de uma formula que deu certo, e não se esforçam para trazer nada de novo.

O que é uma pena!

Nayra Garofle disse...

Pois é, eu acho que é aí que está pegando. São sempre as mesmas coisas contadas...

Newton disse...

Desculpem galera, mas tem uma coisa que a gente não pode esquecer. Não é a cultura afegã que é ditadora! Não é a cultura afegã que coloca as mulheres escravas e usando burcas. A cultura e o povo afegãos são maravilhosos, inspiradores; um povo e uma cultura que devem ser admirados sempre. Quem coloca as mulheres em burcas, comete genocídeos são alguns fanáticos religiosos (Talibã), assim como aqui no Brasi com alguns evangélicos, umbandistas, gls, etc. Não é precomnceito é simplesmente liberdade de expressão (antes que algum membro dessas ongs que não pagam imposto de renda reclame). Não li o livro, é que tem pessoas que lêem este tipo de livro e saem tirando conclusões preconceituosas.

Nayra Garofle disse...

Não acredito que sejam conclusões preconceituosas. Devemos respeitar a cultura de cada país, porém, algumas questões são intoleráveis para nós, do Ocidente, sim. Embora o respeito deva prevalecer sempre. Sobre as mulheres enclausuradas nas burcas, desde a queda do Talibã elas não são obrigadas a usá-las. Entretanto, o que o livro mostra é que, como as mulheres eram impedidas de obter conhecimento, muitas não conseguem se livrar de tais costumes. Enquanto umas querem adotar uma vida mais liberal, outras ainda condenam os novos hábitos. O livro é bom, mas não apresenta novidades.