segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fish

Esse curta ganhou o festival de Berlin em 2007.
Pena que nem todos tem esse tipo de sonho!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Meu segundo encontro com Bono e cia.

Desta vez não houve confusão para compra de ingressos, nem longas viagens de ônibus, nem horas de espera até o show começar. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr entraram no palco pontualmente às 14h05 da última terça-feira, no UCI do Norte Shopping. Ahn? É isso mesmo, você não leu errado. Eles entraram no palco e mandaram ver, num show exclusivo. Na verdade, era só U2 3D, o registro da turnê Vertigo, que ganhou as salas de cinema há duas semanas. Mas pra mim teve gostinho de repeteco. Isso porque há dois anos, eu estava lá, pulando e cantando no Morumbi. Com a diferença de que as imagens que passam na telona são quase todas dos shows na Argentina. Mas, sim, você consegue ver uma bandeira brasileira vez ou outra.

U2 3D foi minha primeira experiência com cinema em três dimensões, e posso dizer que o resultado é bem bacana. Há momentos em que temos a impressão de que o Bono está ali, cantando bem na nossa frente. Sem contar que alguns planos reproduzem com fidelidade o ângulo que temos da platéia, com aquele monte de câmeras fotográficas atrapalhando a visão do palco.

Mas assistir a um show, quase na íntegra, num cinema vazio, esparramada numa poltrona confortável, é uma experiência peculiar. Meu primeiro pensamento ao entrar na sala quase vazia foi: "Uau, um show particular! Que luxo!". Aí chegaram mais umas seis pessoas, no máximo. E isso, acreditem, faz toda a diferença. Porque, por mais que as imagens tridimensionais sejam impressionantes, faltou o empurra-empurra básico, o equilíbrio na ponta dos pés pra tentar ver um pouquinho melhor (ok, eu sou baixinha), aquele coro que arrepia.

Ainda bem que uns rapazes que sentaram lá no fundão resolveram entrar no clima e reproduzir um dos momentos mais bonitos do show, quando a banda toca "Miss Sarajevo": é a hora em que o público ilumina o estádio só com os celulares. Bom humor é tudo. U2 é mais ainda.

Quer saber mais sobre o meu primeiro encontro com Bono e cia.? Leia aqui.

METALLICA


Sei que 99,9% das pessoas do curso ou não gosta ou odeia Heavy Metal, mas............e dái???
Amanhã é o lançamento mundial do novo CD da maior e melhor banda de Metal do mundo! Metallica lança dia 12/09 o CD Death Magnetic. Com 10 músicas que variam da melancolia, raiva até a simples vontade explodir tudo por alegria! Trujillo parou de tocar como um gorila no cio e encarnou de vez o espírito do que é ser Metallica e finalmente toca um baixo como deve ser tocado! Kirk Hamet só falta fazer a guitarra falar com seus solos simplesmente enviados por deus! Lars na batera parece anunciar a chegada de algo maravilhoso!! E o grande deus do metal? Heatfield simplesmente faz marmanjo chorar, sorrir, surrar, querer fazer tudo aquilo que se quer fazer nun dia ensolarado de domingo!! Com um vocal menos poluido como em ST. Anger e lembrando mais os bons tempos do ínicio como And Justice For All, o cara se faz entender quando diz It`s the Judas Kiss baby!! E como eu consegui o CD antes do lançamento? Por ser um fanatico, um adorador da melhor banda do mundo, eu consegui correr atrás daquilo que dever ser do mundo por direito. A boa música! Depois de Beatles só Metallica.
Pink o que?, Roling como?, Ana Cara hein?, Maria hã? Rappa? Que Rappa?
É METALLICA PÔ!!!!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A arte de contar uma história

Documentário aproxima moradores da história da cidade

Determinante no desenvolvimento da cidade, e atualmente extinta, a estrada de ferro de Teresópolis e suas memórias serviram de inspiração para o documentário Reminiscências – Estrada de Ferro de Therezopolis. Com a intenção de resgatar, preservar e apresentar essas histórias as novas gerações, a professora de literatura Regina Carmela e o fotógrafo publicitário Leo Bittencourt aceitaram o desafio proposto pelo SESC da cidade. Produzir um documentário em tempo recorde para comemorar o centenário da inauguração da ferrovia, desativada desde 1957.

A importância da ferrovia para o município foi outro fator determinante para a dupla aceitar o projeto. “A história da estrada de ferro se confunde com a história da cidade, foi por causa dela que Teresópolis nasceu”, afirma o publicitário. O resultado foi uma coletânea de depoimentos emocionados e documentos antigos reunidos de forma delicada com linguagem simples e acessível.

Conduzido pela memória oral dos entrevistados o média metragem, segue os caminhos dos trilhos. “Nossa história sai do porto de Piedade, com o início da construção da ferrovia e através de relatos de ex-funcionários e passageiros trazem o trem até a cidade”, explica Carmela.

A procura por esses relatos levou a dupla a anunciar a busca em uma rádio local. “Choveram ligações, foi incrível”, conta Regina. As conversar por telefone também foram aproveitadas no documentário. Entre as entrevistas histórias como a de Dona Daria, que aos 101 anos relembra a época em que foi caseira na estação da Várzea, e do maquinista Pedro de Jesus de 96 anos.

Através dos relatos, o espectador pode acompanhar as histórias da estrada de ferro. Como a dedicação de José Augusto Vieira, empresário que iniciou a construção da linha, e foi à falência logo depois. Os treze anos de construção e a inauguração em 19 de Setembro de 1908. Conhecer os passageiros anônimos e ilustres, e mesmo os acidentes, como o deslizamento de terra que atingiu um trem de passageiros em 1952. Até sua total desativação em 1957, e os tempos atuais quando restam poucos vestígios que a cidade abrigou uma ferrovia.

O documentário também traz relatos de moradores de municípios vizinhos, por onde a ferrovia passava, documentos e fotos da Biblioteca Nacional e de arquivos de colaboradores. Além de imagens feitas no Museu do Trem, localizado na cidade do Rio de Janeiro, onde está exposto o carro de passageiros que transportou o rei Alberto da Bélgica até Teresópolis, em 1920. Em Tiradentes, MG, os documentaristas puderam filmar uma “maria-fumaça” semelhante à locomotiva a vapor que fazia o caminho até Teresópolis.

A pesquisa e produção duraram apenas três meses. Entre os colaboradores estão colecionadores, apreciadores e escritores. Além do pesquisador da UFRJ Wanderley Perez, que está escrevendo um livro com mesmo tema.

Reminiscências – Estrada de Ferro de Therezopolis é o terceiro trabalho de uma série de uma série de documentários que buscam resgatar a memória cultural e histórica de Teresópolis. As outras obras também produzidas por Regina Carmela e Leo Bittencourt, também são iniciativas do SESC e tiveram apoio de empresas locais.

Cidade dos Festivais, fala sobre os primeiros festivais de cinema do Brasil realizados em Teresópolis. Lançado em 2005, conta com a participação de Walter Lima Jr, Jece Valadão, Fernanda Montenegro, Emiliano Queirós, Joana Fomm, entre outros.

Reminiscências – dos anos 20 aos 50, de 2007 reúne histórias sobre a era progressista da cidade. Abrangendo seu cenário político e a inauguração da rodovia que liga Teresópolis ao Rio de Janeiro, que mais tarde tornou a estrada de ferro obsoleta.

Os três filmes são exibidos em colégios e no SESC Teresópolis. Os DVDs podem ser adquiridos em diversos pontos da cidade, ou com os próprios documentaristas. E vários trechos podem ser conferidos no canal da SetProduções no site YouTube. Os teresopolitanos ainda podem conhecer mais sobre a história da ferrovia em uma exposição no Centro Turístico da cidade.

O interesse do publico local corresponde aos esforços dos documentaristas. A estréia de Reminiscências – Estrada de Ferro de Therezopolis reuniu cerca de 400 convidados, sucesso que se repetiu no segundo dia de exibição quando, 300 pessoas enfrentaram chuva em um domingo para assistir ao documentário. Segundo os documentaristas o sucesso da série se deve a vontade da população de conhecer sua história, e da identificação com os personagens e a cidade.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Steel Toes (Botas de Aço)


Dany é um advogado judeu liberal de Montreal no Canadá. Ele é designado para defender o skinhead Mike pelo crime de assassinato de um imigrante indiano por razões raciais; Mike o espanca até a morte. Ao longo do filme vemos e somos envolvidos por todos os sentimentos que passam pelo advogado, desde ódio de Mike até a compaixão mesmo que pouca. dany fica completamente relutante em defender Mike, pois afinal de contas ele é um judeu e seu cliente um neonazista, defensor das idéias de Hitler e a favor do extermínio dos judeus e de outros "seres inferiores". E Mike ao mesmo tempo que acha divertido passa ao menos no início, a odiar a ideia de ter um advogado judeu, porque acredita que esta é uma conspiração para acabar com sua vida.
No decorrer do filme ficamos envolvidos com o caso e as consequências na vida dos dois, principalmente na de Mike que encontra em Dany um pai, um alicerce para tentar seguir a vida. Passamos a ver e crer em tudo no ápice do filme que é o seu final, é quando vemos que o ódio as vezes se faz necessário.
O filme é baseado em fatos reais e por incrível que pareça não é nem contra e nem a favor das duas causas. Ele as apresenta e nós é que nos abracemos a que acharmos mais justa.
Bom filme!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Epicuro


Pensamentos. De Epicuro (341-270 a.c) da editora Martin Claret.

Pensamentos de Epicuro são de simplicidade, paz e tranquilidade. Através dos exemplos da natureza busca-se o equilíbrio da mente e do espírito atingindo a paz, tranquilidade e o prazer do corpo e da alma. O prazer não é o hendonista e sim o prazer do espírito, da quietude. Alimentação escassa e armônica. Imortalidade da mente e do espírito. A liberdade através do pensamento.

Alguns dos princípios epicuristas. A dica ta aí.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Uma viagem pela Itália




Se ler é viajar, acabo de chegar de Florença. Visitei o convento de Monte Oliveto Maggiore e conheci os afrescos pintados por Sodoma (1477-1549). Pelo menos foi o que me proporcionaram as 124 páginas de “O conto do amor”, primeiro romance de Contardo Calligaris. A estória do livro se confunde com a do próprio autor, apesar do mesmo afirmar que “de autobiográfico, somente o primeiro capítulo”.


Isso porque o protagonista é psicanalista e mora em Nova Iorque, assim como Calligaris, que viveu durante um bom tempo na cidade. O pai de Carlo Antonini, em seu leito de morte, faz uma revelação mais que inusitada: ele teria sido, em outra vida, o ajudante do pintor Sodoma, autor dos afrescos no convento de Monte Oliveto Maggiore. Somente 12 anos depois da morte de seu pai, Carlo decide desvendar esse mistério e se envolve num caso amoroso mais curioso e misterioso ainda.

No decorrer da trama, por sinal, muito bem costurada, Carlo reúne pistas que podem ajudá-lo a entender o que seu pai quis dizer pouco antes de morrer. De um lado, o diário de seu pai e as cartas de amor trocadas entre ele e sua mãe. Do outro, a reprodução sem assinatura de uma obra de Sodoma e uma noite inesquecível num hotel da Toscana.

Não visitei apenas Florença. Apesar de ter sido esta a cidade mais detalhada no livro. Porém, viajei por Milão, Siena e até Paris. Alguns minutos em Nova Iorque também são relatados no livro, para alegria desta resenhista. Carlo se aventurou numa investigação que prometia desvendar o passado de seu pai, mas mal sabia ele que tais descobertas seriam ainda mais proveitosas para seu futuro.

Além de a estória enigmática ser prazerosamente lida, diga-se de passagem, o leitor pode ainda se deliciar com a reprodução das obras de Sodoma citadas no livro.

Deixo aqui uma prévia da entrevista que fiz com o autor. Sobre o livro, Calligaris me afirmou:

"Ele não é totalmente autobiográfico. Na verdade, de autobiográfico, somente o primeiro capítulo. Vivi na Itália até os 18 anos e sempre quando voltava para visitar minha família, meu pai me dizia que queria conversar comigo. Passavam-se os dias e a conversa nunca acontecia. Até que um dia, em seu leito de morte, ele me falou exatamente o que o pai de Carlo Antonini falou para ele. Quando meu pai morreu, eu herdei 60 anos de um diário escrito por ele e as cartas de amor trocadas entre ele e minha mãe. Não sabia o que fazer com aquilo. Foi quando tive a idéia de iniciar o livro".

Em breve colocarei a entrevista na íntegra.

O conto do amor
Autor: Contardo Calligaris
Companhia das Letras
R$ 23 (no Submarino)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O livreiro de Cabul





Desde 2001, mais precisamente depois de 11 de setembro, o mundo conheceu melhor o Afeganistão. A vida naquele país, cuja cultura é, praticamente, intolerável para o Ocidente não é mais segredo. "O livreiro de Cabul" (Record,2006), escrito pela jornalista norueguesa Åsne Seierstad, é um livro para quem apreciou "O caçador de pipas", de Khaled Hosseini.

Usando artifícios literários, Seierstad conta a história da família do livreiro Sultan Khan (nome fictício), a quem a jornalista conheceu depois de cobrir a guerra contra os talibãs. O problema é que a família de Sultan é tão grande que, ao contar as histórias das mulheres, dos irmãos e tudo mais, Seierstad deixa o leitor perdido. Inúmeras vezes é preciso fazer um esforço para se lembrar de qual personagem ela se refere.

O livro é triste, não tem como ser diferente ao se tratar da cultura afegã, ao apresentar as dificuldades das mulheres, submissas aos homens, enclausuradas em suas burcas. Åsne descreve o pandemônio vivido pelos moradores da casa de Sultan, as intimidades dos universos masculino e feminino, a loucura que deve ser se casar com alguém que você não conhece. O livreiro culto e letrado desaparece com a postura machista que Sultan demonstra em determinadas situações.

O livro é um relato de uma história real. Desde aí, é possível esperar um fim diferente do que temos por costume. Em todo o mundo, já foram dois milhões de exemplares comercializados, com direitos vendidos para 30 países. Com o sucesso, Åsne doou US$ 200 mil (cerca de R$ 450 mil), parte dos ganhos com seu livro, para construir uma escola para 600 garotas nos arredores de Cabul.

Por ter lido "O caçador de pipas" e "A cidade do sol" antes de "O livreiro de Cabul", não me surpreendi com as situações vividas pelos afegãos que, por sinal, foram bem descritas. De uma coisa eu tenho certeza: depois de três livros sobre o país, aguardo, ansiosamente, por um quarto que possa me surpreender. Afinal, não sei se há ainda mais coisas diferentes que eu possa aprender sobre o Afeganistão.
O livreiro de Cabul
Autor: Âsne Seierstad
Editora Record
R$ 29,90

terça-feira, 15 de julho de 2008

Maconha

Bem, sei que causou muito choque o fato de eu ter escolhido como tema para o trabalho de cultura o uso da maconha no Brasil. Uma prévia do meu trabalho.
A Cannabis sativa é uma das plantas mais antigas do planeta e seu consumo segue o mesmo ritmo. O primeiro registro da erva é datado de aproximadamente 6000 anos antes do presente na China. Na época não só na China, mas em praticamente todas as regiões do planeta a Cannabis sativa era utilizada de todas as maneiras; têxtil, alimentos e fumando-se. A planta começou a ser usada na Ásia e de lá foi para África e Europa, chegando até as Américas (mas esta questão ainda está em discussão de vido as levas migratórias de aproximadamente 50000 anos); em todas as regiões a maconha (como nós conhecemos) foi utilizada não só para fumar, mas como dito antes, para alimentos, roupas. Mas o seu principal uso era o medicinal que nos leva ao religioso, todas as religiões, desde a Budista até a Católica utilizavam a erva como forma de curar os males espirituais e entrar em contato mais próximo com deus. Há inclusive teorias de que o mais famoso profeta da humanidade usou maconha como prática medicinal; sim estou falando de Jesus Cristo. Mas a lenha na fogueira colocarei no trabalho.
Bem galera sem mais delongas é mais ou menos por este caminho que o trabalho irá seguir. O que acham? Aguardem para vê-lo completo e apresentado.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

JAMARI FRANÇA

Alguém já leu a crítica do dia 16/06 do Jamari França na sua coluna Jam Sessions? O título do dia foi: "Emburrecimento das massas a todo vapor".

Po tudo bem, o cara entende pra caramba de música, e de um montede coisas do meio. Mas o que me deixou encucado e ao mesmo tempo feliz e esperançoso foi que ele arregaça com todos os ritmos ditos de "massa", entre eles funk, axé, etc. Citando até nomes! Bem tudo bem que gosto é igual a cú, cada um tem o seu, mas acho que ele pegou pesado pra cacete! Porra o cara pode não gostar de um determinado estilo, mas não poderia ficar julgando as massas ou um artista por causa disto. Bobagem, imbecilidade existe em qualquer estilo de música!!! Não se pode julgar nem generalizar todo um estilo e o público que curte determinado estilo apenas por umas besteiras que ele escutou por ai!

Quando falei que ele me deixou esperançoso foi que o que ele escreve, suas opiniões são fortes e não é tão difícil assim ser um crítico fodão! Estou errado? Bem a minha imbecilidade jornalística poderá ser corrigida por todos ok? É que me cansa este povinho do tipo "sou foda" porque gosto de Bauhaus, Glauber Rocha, Caetano. Quem não gosta ou escuta e curte algo diferente é burro ou manipulado. Por que? Por que quem não curte pagode, funk, axé e outros também não é manipulado? Por que?

Com certeza será mais uma pergunta que a intelectualidade "genial" carioca e brasileira discutira durante anos e chegará a conclusão que sempre chegou. Nada!!!

Meu negócio é o caos!!!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Eu sou eu

Bem sem nada para escrever eu resolvi colocar aqui a letra traduzida de uma música de Eddie Vedder e faz parte da trilha sonora do melhor filme que já vi em toda a minha longa vida. E aliás é uma música que eu me identifico para CARALHO!!! Aliás todas eu me identifico, mas esta é uma das mais fodas. E outra, quer me conhecer? Leia Amor de Perdição e Enterrem meu Coração na Curva do Rio, vejam todos os Indiana Jones, Clube da Luta, Hulk (o segundo), Coração Valente, Pacto dos Lobos, Na Natureza Selvagem; Escutem Todos do Metallica, Nina Simone, Cartola, Todos do Chico, Elba, Caetano só até a década de 80, Pearl Jam, Nirvana, Punk Oi!, Jhony Cash, Punk, Jazz, Blues. Andem da maneira mais simples possível, sejam um pouco mendigos, se tranquem num quarto escuro, vão a uma praia. Bem, chega de enrolação.

SETTING FOR (TRADUÇÃO)
EDDIE VEDDER
"Ser, sem preocupação
Ponto sem retorno
Ir pra frente e pra trás
Disso vou me lembrar
Toda vez que eu cair

Vou continuar me expressando no universo
Vou continuar me expressando no universo

Aqui fora, realinhado
Um planeta fora de vista
Na natureza, bêbado e chapado

Continue...
Continue..."

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Duas visões, uma noiva

A morte é animada
Por Giselle Almeida

A sinopse de A noiva cadáver pode até enganar o espectador menos atento: jovem rapaz se casa com uma mulher morta. Sinistro? Nem um pouco, quando se trata de um filme de Tim Burton. Antes de tudo, o longa de animação é uma história de amor. Nada tradicional, é verdade, mas incapaz de assustar qualquer criancinha.

O filme conta a história do jovem Victor van Dort, que conhece a noiva, Victoria Everglot, apenas um dia antes de se tornarem marido e mulher. O casamento foi arranjado pela família dos dois: os pais dele, de origem humilde, querem ser aceitos na sociedade; os pais dela, ricos falidos, estão em busca de estabilidade financeira. Os jovens, alheios às conveniências, estão conformados com uma vida de infelicidade em comum. Mas quis o destino que eles se apaixonassem à primeira vista. Tudo correria às mil maravilhas se, no ensaio para a cerimônia, Victor não se atrapalhasse mais do que devia com os votos nupciais. Ele decide ensaiá-los no meio da floresta e acaba, por engano, pedindo em casamento Emily, a noiva cadáver do título.

O mal entendido leva Victor até o mundo dos mortos. Eis aí a grande sacada do filme: ao contrário do mundo dos vivos azulado, frio e monótono o lado de lá é bem mais agradável, colorido e alegre. Os recém-chegados, por exemplo, são recebidos com festa, à base de muita bebida e música. Todos comemoram o fato de Emily finalmente se casar, depois de ficar muito tempo à espera de um novo amor, desde que foi assassinada. Mas o final feliz do casal inusitado não é tão simples assim: Victor ama Victoria... e está vivo! Aí tem início a odisséiado jovem para desfazer a confusão.

Johnny Depp cai como uma luva no papel de Victor e a senhora Burton, Helena Bonham Carter (ambos presenças constantes nos trabalhos do diretor), dávida a Victoria. Christopher Lee, o Saruman de O senhor dos anéis, faz uma participação como o pastor Galswells. Os personagens secundários são muito bem construídos (e divertidos), como a larva que mora dentro de Emily, sempre com um conselho na ponta da língua. Destaque também para a seqüência em que os mortos e os vivos se encontram, bem diferente do que estamos acostumados a ver em filmes de terror.

O fato de ser uma animação não significa que A noiva cadáverrepresente uma ruptura na filmografia do diretor. Tanto na estética quanto na temática, ela retoma os traços mais marcantes de sua obra: o visual sombrio e o gosto pelo bizarro. Afinal, são poucos os que conseguem transformar histórias estranhas em contos de fadas. Burton éespecialista nisso. Foi ele que construiu o frankestein moderno Edward Mãos de Tesoura, sensível como poucos humanos. E foi ele que contou A lenda do cavaleiro sem cabeça com genererosas doses de humor.

A técnica empregada em A noiva cadáver foi a tradicional stop motion, onde os personagens são bonecos de massinha, fotografados quadro a quadro. Na contramão da tendência atual no mercado de animação, que valoriza cada vez mais a simulação do 3-D, Tim Burton preferiu a sensação de realidade que só os cenários e figurinos de verdade proporcionam. Foi ele, aliás, que rascunhou a maioria dos bonecos do filme, desenvolvidos posteriormente pelo espanhol Carlos Grangel. Afinal, ninguém melhor que o próprio Burton para dar vida aos personagens estranhos que povoam sua mente criativa.


A Noiva-Cadáver (Corpse Bride 2005)
Por Fabiane Bastos


Em A Noiva-Cadáver TimBurton, retoma a técnica stop-motion (onde as cenas são fotografadas quadro a quadro), usada em O Estranho mundo de Jack, para contar uma lenda russa passada no século XIX. O desastrado Victor Van Dort, filho de novos ricos, tem seu casamento arranjado com Victória Everglot, filha de uma tradicional, e falida, família aristocrata. Após arruinar, por acidente o ensaio de casamento, Victor acaba desposando por engano uma noiva cadáver.

O visual segue o estilo sombrio dos outros filmes do diretor, que faz uso das cores para criar um contraponto entre o mundo dos vivos e mortos. Enquanto os vivos presos a regras e tradições vagueiam por um mundo monocromático e sem graça, os mortos habitam um mundo alegre colorido, com muita musica, bebida e ligeiramente mais vivo, que os colegas lá de cima.

Recheado de humor-negro, com piadas textuais e principalmente físicas, uma vez que metade dos personagens está em decomposição, o filme ainda traz canções de Danny Elfman. O compositor, parceiro do diretor em varias produções, apresenta músicas divertidas que impulsionam a história.

Burton traz de volta outras parcerias. Jhonny Depp, no seu quinto trabalho com o diretor interpreta Victor. A noiva cadáver do título fica a cargo de Helena Boham Carter esposa do diretor e parceira dele em outros três filmes. Christopher Lee faz seu terceiro trabalho com Burton como o pastor Galswells. Não é coincidência o fato dos três atores estarem presentes em A Fantástica Fábrica de Chocolates, produção paralela do diretor, que aproveitou as folgas nas filmagens para gravar as vozes. O elenco ainda traz Emily Watson, Albert Finney, Richard E. Grant, Joanna Lumley entre outros.















A Noiva-Cadáver
Corpse Bride (EUA, 2005, 78 min)
Direção: Tim Burton e Mike Johnson
Roteiro: Alison Abbate e Tim Burton
Musica: Danny Elfman
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Emily Watson, Tracey Ullman, Paul Whitehouse, Joanna Lumley, Albert Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee, Michael Gough, Jane Horrocks, Enn Reitel, Deep Roy, Danny Elfman, Stephen Ballantyne


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Travessuras da menina má


Foi a primeira vez que peguei um livro do peruano Mario Vargas Llosa para ler e já fiquei muito ansiosa em conhecer suas outras obras. Travessuras da menina má, da Editora Record, é surpreendentemente romântico e irritante. Consegue entender? Vargas Llosa cria um personagem capaz de se fazer detestar e ao mesmo tempo, ser digna de piedade.

O peruano Ricardo decide largar seu país e ir em busca de seu sonho: viver em Paris. Ao reencontrar seu amor dos tempos da adolescência, a nada doce Lily, Ricardito se surpreende com uma "menina má" repleta de travessuras capazes de deixá-lo à beira de um ataque de nervos ou até da morte.

Em inúmeras idas e vindas, Ricardo, o "menino bom", reconhece muitas mulheres em Lily, que usou e abusou de todas as facetas femininas para ter uma vida rica e conseguir o que queria. Enquanto alguns encontros proporcionam momentos felicíssimos para Ricardo, outros deixam claro que a "menina má" não é mulher para aquele pequeno burguês.

Porém, o amor do peruano é tamanho que ele se deixa levar pelo coração numa narrativa que Vargas Llosa mostra todos os encantos e desencantos em Paris, Londres, Japão e Madri. Durante uma boa parte da leitura, a "menina má" se faz odiar. Perguntei-me diversas vezes o que ela teria de tão bom para Ricardo nunca esquecê-la. Foi quando me deparei com a minha afeição por ela. Torci, até o fim, para que tudo desse certo e compreendi o, aparentemente, incompreensível.

Os sete capítulos proporcionam uma leitura rápida e gostosa em suas 304 páginas. Enquanto o "menino bom" e a "menina má" se encontram e desencontram, o autor revela as transformações sociais européias e as convulsões políticas da América Latina. É fácil perceber que Ricardo muito tem a ver com Vargas Llosa, do tempo em que morou em Paris e viveu como tradutor.

“Para falar de amor, inevitavelmente é preciso recorrer também à nossa própria experiência, mas digamos que, aqui, metade é imaginação e a outra metade feita de recordações”, disse o autor em uma entrevista ao jornal argentino Clarín.

Jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, Mario Vargas Llosa é um escritor consagrado internacionalmente. Ganhou notoriedade literária com a publicação do premiado romance A cidade e os cachorros (1961) no qual já estou à procura para começar a minha leitura. Outros romances do autor como Conversa na Catedral, Pantaleão e as Visitadoras, Tia Júlia e o Escrevinhador, A Guerra do Fim do Mundo e Quem Matou Palomino Molero? Também estão na minha fila de espera.

Só uma coisa me aborreceu durante a leitura do livro. As passagens em que os personagens fazem citações em francês não são traduzidas e, infelizmente, passaram em branco para mim. Se ainda estivessem em italiano ou inglês seria mais fácil. Se assim tem de ser, vou procurar uma Aliança Francesa da vida. No mais, vale a pena!


Travessuras da Menina Má
Autor: Mario Vargas Llosa
Editora Record
304 páginas
R$ 39,90

Into The Wild


Cris Macndless era um jovem rico de Virgínia, super inteligente e contestador que um dia resolve largar a vida mundana de posses que tem pra viver do jeito que todos deveriam viver, com a simplicidade de apenas ser e não ter. Ele viaja durante dois anos com nada no bolso vivendo apenas de alguns bicos. Em 1992 é encontrado por caçadores o detalhe é que estava morto. O laudo oficial foi que ele morreu de inanição.
O filme mexeu com tudo o que sou, o que já fui e o que ainda vou ser. Toda a trajetória do filme é linda. A vida de Alexander Supertramp é simplesmente maravilhosa. Ele não estava sozinho, estava comigo. Não sei explicar de forma simples o que houve, mas o que posso dizer pra vocês é que Supertramp me dissecou, pegou meu coração e meu cérebro e disse pra mim em alto e bom tom: "Hei! Isto aqui é você! E não este monte de coisas inúteis que você possui, você não está aí, você está aqui..." Porra eu não sei explicar de maneira especifica o que aconteceu e o que tá acontecendo. O que sei é que eu não quero ser o ou como Alex, o que quero é simplesmente ser eu. O que ele me mostrou ( quando digo que ele me mostrou é que quando ele olha pra camera ele tá olhando pra gente pô). O filme tirou tudo aquilo que eu acreditava, jogou no lixo e me apresentou quem eu sou. O que estava lá dentro só que parado, escondido de tudo e de todos. Não to aqui com o papinho insuportável pseudo de que "o filme mudou a minha vida" sem ter mudado. Mudou e mudou de verdade. Como eu disse antes eu não sei o que houve nem o que tá acontecendo, só sei que quando apareceu a foto de Alex no final do filme eu simplesmente não consegui controlar o que já estava pra sair e chorei compulsivamente. E aqui escrevendo pra vocês eu continuo a me emocionar e chorar compulsivamente pois ao mesmo tempo que escrevo escuto a trilha "linda" sonora feita por Eddie Veder e me lembro de tudo o que aconteceu a este cara que parece que eu conheço tanto. Tudo o que sofreu, sorriu, chorou, tudo eu senti. Não quero e nem gosto que fiquem com aquela coisa de "Ah o Newton é tão sensível..." ou "Nossa que inteligência..." Afinal do que adianta tudo isto se continuamos a viver neste mundo egoísta? Tenho inveja daqueles que vivem à margem da sociedade. Não to falando dos bandidos, mas daqueles que simplesmente resolvem viver da simplicidade. Não levaremos nossos celulares ou nosso dinheiro quando passarmos pro outro lado, tudo o que levaremos será nossa carne.
Pra que eu quero gente ao meu lado que sabe tudo sobre Vinícius de Moraes ou sobre física quântica, eu não quero nem posso me dar estas coisas que não me dizem nada! O que eu quero é a pessoa que não saiba nada, porque esta têm mais a me ensinar sobre todas as coisas do universo do que quem diz que sabe tudo e eu terei o que ensinar também, haverá um troca. Haverá comunicação. E comunicação não é simplesmente uma disciplina que a gente estuda na faculdade para entrar no mercado e ganhar dinheiro. A gente não sabe nada de comunicação. Nenhum teórico ou professor ou seja lá quem for sabe nada de comunicação. Nenhum de nós sabe mais do que um cortador de cana, ou do que um pescador. Alexander Supertramp me ensinou tudo isto e muito mais. Desculpem as palavras corridas ou alguns devaneios ou alguns erros é que como disse pra vocês antes, eu não consigo controlar as lágrimas que saem de mim quando algo me toca realmente fundo. Vou citar um verso que ele diz no filme, na verdade um verso de Trohou(acho que se escreve assim): "Ao invés de dinheiro, amor, tristeza, posses, me dê a verdade". Porra foi a primeira que eu tomei no filme! Eu não sei nem mais onde estou. Estou dentro de mim e aqui na cidade de cabeça pra baixo este é o lugar mais seguro onde posso estar. Por que todos são tão maus? Vamos ser bons. Bem, tudo o que sei é que quero ser eu. O que mais desejo é simplicidade. O que mais anseio é chegar ao fim da estrada sem nada em meu corpo ou meus bolsos, quero chegar apenas com meu coração, minha mente intactos e meu espírito intactos.
vejam e entendam o que Supertramp quis que entendêssemos e sentíssemos. Posso dizer que eu era simples e quero ser simples. Mudou a minha vida e continuará a mudar enquanto eu respirar.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Uma vida inventada


Literatura e vida particular se entrelaçam em “Uma vida inventada: memórias trocadas e outras histórias”, de Maitê Proença, lançado pela editora Agir. Com um senso de humor e muita ironia, a atriz arrisca nas palavras a sua própria história contada em primeira e terceira pessoa. Depois de “Entre ossos e a escrita”, uma coletânea de crônicas que Maitê escreveu na revista Época, seu segundo livro chama mais atenção, talvez por se tratar de uma história real e os fatos narrados parecerem, em suma, ‘coisa de novela’.

Em 224 páginas, a escritora narra os trágicos acontecimentos de sua vida, como episódios dignos das obras de Nelson Rodrigues. O assassinato de sua mãe, cujo mentor foi seu próprio pai e o suicídio do mesmo. Suas peripécias pelo mundo são descritas como verdadeiras aventuras de uma jovem que teve sua vida, de fato, inventada.

Se o problema em ler o livro é por ele ter sido escrito por uma atriz, melhor deixar o preconceito de lado. Numa mistura de ficção com autobiografia, Maitê se mostra muito mais nas páginas de “Uma vida inventada” do que quando posou nua para a Playboy, em 1987, depois do sucesso da novela Dona Beija, exibida pela Rede Manchete. Inteligente e irônica, ela alterna capítulos em primeira pessoa com a história de uma menina – ela mesma – contada em terceira pessoa.

A trama, que reúne todos os apetrechos para entristecer, na verdade, comove o leitor e, diga-se de passagem, promove um respeito por alguém que mostrou ser mais que uma bela mulher. Amores, drogas, viagens. Muitos são os ingredientes na vida de Maitê que ela usa e abusa ao contar, porém, não choca, provoca curiosidade.

Não conhecia muito sobre a vida pessoal da atriz. Vi um monólogo seu, as novelas em que atuou, li algumas crônicas na revista Época e sei que apresenta o programa Saia Justa, na GNT. Entretanto, valeu a leitura sobre alguém que teve muito o que contar, e melhor que isso, histórias para Nelson Rodrigues nenhum colocar defeitos.


Uma vida inventada: memórias trocadas e outras histórias
Agir Editora
R$ 29,90
224 págs.
Autor: Maitê Proença

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Super-Herói - O Filme

(Superhero Movie)


Seguindo a formula de filmes como da série Todo mundo em pânico (Scary Movie) e Deu a Louca em Hollywood (Epic Movie), Super-Herói - O Filme parodia um dos gêneros mais populares do cinema atual. Usando como base o primeiro longa do Homem-Aranha (Spider Man), e com inserções de piadas inspiradas em Batman Returns, Quarteto Fantástico (Fantastic Four) e X-Men o filme tenta “zoar” com a recente invasão dos super-heróis nos cinemas. Tenta mas não consegue!

Após ser picado por uma libélula geneticamente modificada Rick Riker ganha poderes especiais e resolve usá-los para o bem da humanidade. Surge então o Libélula, sua primeira missão evitar que o super-vilão Ampulheta roubar a fonte de vida das pessoas.

O filme peca pela falta de conteúdo. Usando o filme do aracnídeo como base para o roteiro se limita a formula pronta usando piadas antigas e gastas. Deixa de lado muitos dos super-heróis que invadiram os cinemas (não há paródias sobre o Super-homem!?!). A restrição aos ícones mais populares limita o conteúdo e empobrece o já gasto roteiro.

Nem mesmo a possibilidade de parodiar o superestimado beijo de ponta-cabeça de Mary Jane e Petter Parker, e a presença de Leslie Nielsen, ou a inserção de um “melhor amigo-saco de pancadas” (como Pete de Smallville) ajudam essa produção. O longa funcionaria se lançado a seis anos quando o primeiro filme do Homem-Aranha, ainda era novo e haviam menos heróis circulando pela telona, hoje está ultrapassado.

No eleco estão Drake Bell, Sara Paxton, Chistopher McDonald, Leslie Nielsen, entre outros.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Estômago: é para ser assistido com gosto


O principal mérito de Estômago, de Marcos Jorge, é ter um grande protagonista: um personagem complexo, bem construído e cativante. E isso requer um intérprete à altura. Sorte nossa que o escolhido foi o baiano João Miguel, que é daqueles atores que fazem você acreditar de verdade no personagem. Mesmo que não exista uma pessoa tão ingênua como o seu Raimundo Nonato. Mas... será que não existe mesmo?

Nonato chega à cidade grande, sem ter onde cair morto, e aceita viver de favor num quartinho de um boteco bem pé-sujo e trabalhar como ajudante de cozinha. Suas coxinhas fazem tanto sucesso que ele logo atrai a atenção de um dono de restaurante. Era a oportunidade de ele ir trabalhar numa cozinha de verdade, e é lá que ele aprende que sua profissão pode ser também uma forma de se fazer arte.

Agora, uma ligeira pausa na história para acompanhamos a trajetória de Raimundo Nonato em outro local: a cadeia. Quer dizer, Raimundo não, "Nonato Canivete". Essa é a alcunha do nosso protagonista atrás das grades, que ele mesmo escolheu, para ser mais respeitado pelos outros presos. Rapidamente, ele percebe a hierarquia de poder que existe dentro da cela e entra no jogo. E lá dentro ele usa a seu favor sua habilidade na cozinha, ganhando prestígio entre os demais. Para impressionar, ele cria receitas próprias e reconta, a seu modo, as histórias que aprendeu com o patrão.

A partir daí, as duas partes da trama se alternam, mantendo um certo suspense até o final. A construção do roteiro, aliás, é um dos ingredientes que contribuem para o sucesso da história. Com o vaivém entre os dois momentos, podemos perceber com mais clareza a mudança na personalidade do protagonista. Lembra do sujeito inocente do início da nossa história? Pois é. Agora a coisa muda de figura.

O elenco do longa também está na medida certa: além do sempre excelente João Miguel (Cinema, aspirinas e urubus, Cidade baixa e O céu de Suely), Fabíula Nascimento arrasa como a protagonista feminina da história, na pele da prostituta Íria, cheinha e sexy toda vida, que se envolve com Nonato. Babu Santana se destaca como o bandidão Bujiú. E o ator bissexto Paulo Miklos faz uma participação especial.

Recheado de humor negro, Estômago, que levou o prêmio de voto popular do Festival do Rio ano passado, e rendeu um troféu de melhor diretor para Marcos Jorge, é uma receita que deu certo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

TREINANDO O PAPAI

(The Game Plan)

Já faz quase duas décadas desde que o governador da Califórnia salvou o pequeno Dominique do pai traficante em Um Tira no Jardim de Infância (Kindergarten Cop, 1991), mesmo assim a fórmula “brutamonte e criancinha” ainda enche as salas de cinema. Em 2004 Vin Diesel se esforçou para proteger um bando de crianças encrenqueiras Operação Babá (The pacifier). agora a Walt Disney Pictures coloca Dwayne "The Rock" Johnson no papel de pai de primeira viagem.

Joe Kingman (Johnson) é estrela de um time de futebol americano, solteirão convicto, tem a vida perfeita, é rico, está no auge de sua carreira e não precisa se preocupar com mais ninguém além dele mesmo. A utopia é interrompida quando a pequena Peyton, interpretada por Madison Pettis, bate a sua porta. Fruto de uma noite de despedida com sua ex-mulher a menina de oito anos chega de surpresa para ficar com o pai durante um mês, enquanto sua mãe está na África. A partir daí Kingman tem que aprender a administrar a carreira de pai e jogador.

Para quem está acostumado com as produções Disney, não é muito difícil adivinhar o desenrolar da história, recheada de clichês e mensagens positivas, presentes na maioria dos filmes do estúdio. Mas o interessante em filme não é saber o que acontece, mas como acontece, e é o tratamento dado a história que agrada. Conduzida de forma inteligente e bem-humorada, agrada as crianças sem aborrecer os adultos. A trilha sonora, recheada de canções de Elvis Presley, grande ídolo de Joe, é outro atrativo para o público mais velho.

Johnson assume seu lado “ator canastrão” e agrada com uma atuação mais leve. O destaque fica com a Madison, conhecida da criançada do seriado Cory na Casa Branca (exibido no Disney Channel), ela conquista o público, que se diverte junto com ela. Ainda no elenco estão Morris Chestnut, Kyra Sedgwick (da série Divisão CriminalThe Closer) e Roselyn Sanchez (DesaparecidosWith out a trace).

Recheado de clichês, o longa faz uso do bom-humor, tratamento impecável e da simpatia da pequena Maddison, para conquistar o público. É uma comédia despretensiosa, onde o único objetivo é divertir, e assim grada a todas as idades.



terça-feira, 1 de abril de 2008

Jumper: belos efeitos e roteiro fraco


Imagine que você pode se teletransportar para qualquer lugar do mundo num piscar de olhos. Interessante, não? Seria simplesmente perfeito se esse poder também não significasse que querem te matar por isso. Esta é a trama de Jumper, do diretor Doug Liman (Identidade Bourne, Sr. e sra. Smith). A aventura, estrelada por Hayden Christensen, proporciona ao espectador cenas de grande impacto, mas muito pouca história.

Christensen é David Rice, um jovem tímido que teve uma infância difícil: sua mãe o abandonou quando ele tinha apenas cinco anos e sua relação com o pai é problemática. Aos quinze, ele descobre por acaso que tem uma habilidade especial. Diante disso, ele decide ir embora e usufruir do seu recém-adquirido poder. Agora, o céu é o limite.

David logo percebe que não precisa ter dificuldades financeiras. Tem jeito melhor de se roubar um banco sem deixar pistas do que simplesmente surgir dentro do cofre do banco? O dinheiro do roubo é a base para uma vida de luxo e conforto por um bom tempo, mas o episódio também desperta a curiosidade do misterioso Roland (Samuel L. Jackson). David só descobre que há outros como ele ao conhecer Griffin (Jamie Bell), que também pode se teletransportar. Sua missão é tentar evitar que eles, os jumpers, sejam capturados e mortos.

O grande barato de Jumper são os efeitos especiais. As seqüências de ação são muito bem-feitas e têm um ritmo impressionante. Além disso, os cenários são deslumbrantes: como David viaja em questão de segundos pelo mundo, somos brindados com cenas no Egito, em Nova York, em Roma e onde mais a imaginação do roteirista permitir.

No entanto, Christensen é um protagonista sem carisma (lembram de Star Wars?) e a história não é bem amarrada. Quem tiver o mínimo de curiosidade sobre o porquê de os jumpers serem perseguidos "desde a Idade Média" ou sobre a origem do poder deles vai sair do cinema sem nenhuma resposta satisfatória. Sem falar no drama da vida pessoal de David que poderia ser melhor explorado e é citado só de passagem. Até o romance com a paixão da adolescência, Millie (Rachel Bilson), não empolga.

Apesar de tudo, Jumper vale como diversão despretensiosa. E parece que agradou: o filme liderou as bilheterias na estréia nos EUA e por aqui também. Não se espante se uma seqüência pintar em breve, num cinema perto de você...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Juno

Garota de 16 anos engravida de seu melhor amigo e decide dar a criança para adoção. A história é tão comum que agente até imagina o filme: “depois de nove meses de dificuldades e discussões, a moça deixa o bebê num cestinho na porta de alguém, de preferência numa noite chuvosa”. Mas esse não é um filme comum, é Juno.

O roteiro de Diablo Cody (agora aclamada e oscarizada) trata um problema comum em nossa sociedade sem dramalhão e hipocrisia. Situações simples e cotidianas para resolver problemas simples e cotidianos. Não há histeria por parte dos pais, nem namorado que foge da responsabilidade (na verdade ele é deixado de lado nas decisões), nem adolescente perdida, achando que o mundo acabou com a gravidez.

Fugindo dos estereótipos de adolescente problema, Juno (Ellen Page) encara o situação de forma lógica. Como se livrar da “coisa” e voltar ao normal? Descartando a tentativa de aborto, não por ser contra, mas porque o feto já tem unhas, ela decide dar a criança para adoção. Encontra os “pais perfeitos” (Jennifer Garner e Jason Bateman) nos classificados e passa a conviver com eles.

A partir daí acompanhamos a jornada de Juno para enfrentar o dia-a-dia de uma gravidez precoce, e a preparação dos futuros pais para a chegada do bebê.

Depois do oscar nem é necessário dizer que Ellen Page esta bem como Juno, ela é Juno. E o resto do elenco segue o mesmo ritmo, mantendo o publico preso a história, que não traz muitas surpresas, talvez por isso agrade tanto. O interessante não é ter um acontecimento inesperado, mas sim acompanhar como pessoas comuns resolvem os problemas cotidianos a sua frente.

Uma história sobre pessoas e suas escolhas, tratada de forma simples e com tiradas de fazer qualquer “pergunta idiota tolerância zero” morrer de inveja, fizeram de Juno a surpresa do ano. Uma comédia que podia acontecer na sua rua.